O setor imobiliário de Cuiabá alcançou um marco histórico no terceiro trimestre de 2026, movimentando um total de R$ 1,834 bilhão. O desempenho representa um crescimento expressivo de 25,5% no volume financeiro em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme apontam dados do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT), em colaboração com a Secretaria Municipal de Fazenda e apoio da Fecomércio-MT.
Mudança no perfil de consumo e valorização
Embora o faturamento tenha atingido patamares inéditos, o número de unidades comercializadas sofreu uma redução de 8,63%, caindo de 3.800 para 3.472 imóveis. Esse cenário é explicado por uma mudança significativa no comportamento dos compradores, que estão priorizando ativos de maior valor agregado. Como resultado, o ticket médio por transação saltou de R$ 384.684,00 para R$ 528.378,00, um aumento de 37,35%.
O vice-presidente do Secovi-MT, Guido Grando Junior, detalhou essa transição: “O ano de 2025 fechou com faturamento recorde e forte concentração em habitações populares. Já os dados desse terceiro trimestre de 2026 confirmam a migração da demanda para imóveis de médio e alto padrão e produtos de maior valor agregado, elevando a receita global do setor mesmo com menor número de escrituras.”
O impacto do agronegócio na capital
A economia local, fortemente atrelada ao agronegócio, tem sido um motor fundamental para a expansão patrimonial em Cuiabá. O presidente do Secovi-MT e vice-presidente da Fecomércio-MT, Marco Pessoz, comentou sobre o perfil dos investidores: “A forte atuação do setor agropecuário no estado e atividades econômicas ancoradas em setores do comércio e de serviços que atendem à cadeia do agronegócio tem levado investidores a ampliarem seus patrimônios em imóveis, principalmente, na capital do estado”.
Destaques regionais e desempenho nacional
As regiões Leste e Oeste foram as protagonistas do período, concentrando quase 65% do valor total negociado, com um montante de R$ 1,19 bilhão. Enquanto a zona Leste liderou em receita (R$ 596,05 milhões), a zona Oeste sobressaiu no volume de vendas, com 1.200 unidades. A Região Sul registrou a maior valorização proporcional do ticket médio, com alta de 65,64%, enquanto a Região Norte concentrou as transações de luxo, com destaque para o condomínio Florais dos Lagos, onde o valor médio alcançou R$ 3,65 milhões.
Ao comparar o cenário local com o restante do país, Pessoz reforçou a solidez do mercado regional: “No âmbito nacional, dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam alta de 5,4% nas vendas de imóveis no primeiro semestre de 2026 e expansão de 13,1% na oferta de imóveis disponíveis no Centro-Oeste do país na comparação anual.”
A pesquisa, realizada desde 2015, baseia-se nos registros de Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) para monitorar a saúde do setor na capital de Mato Grosso.