A próxima fase da McLaren pretende unir uma gama mais ampla de modelos a uma experiência de luxo nas lojas, reposicionando a imagem da fabricante britânica.
Sob o controle da CYVN Holdings, de Abu Dhabi, a empresa ganhou maior capacidade financeira e busca aproveitar especialmente os Estados Unidos, responsáveis por mais da metade das vendas globais.
Revendedores foram informados de que os atuais espaços minimalistas e voltados à tecnologia darão lugar a ambientes inspirados em boutiques de relógios, moda e artigos de alto padrão.
Um participante da reunião privada comparou o novo conceito visual a lojas de Gucci, Louis Vuitton e Burberry, enquanto os revendedores envolvidos pediram para não serem identificados.
O projeto prevê uma recepção central cercada pelos carros expostos e por salas privadas de atendimento, utilizando madeira, tons terrosos e iluminação quente ligada ao laranja papaya.

Segundo um revendedor, a intenção não é abandonar o público interessado em motor, transmissão e tecnologia, mas conquistar compradores mais atentos a elegância e estilo de vida.
Cada loja poderá precisar investir pelo menos US$ 1 milhão (R$ 5,45 milhões), e as atualizações das instalações devem começar dentro de 18 a 36 meses.
A capacidade de atendimento após a venda também deverá aumentar pelo menos 25%, antecipando volumes maiores após a chegada do primeiro modelo de quatro portas da McLaren.
Paralelamente, a identidade corporativa será reformulada para reforçar as origens da marca nas corridas e a trajetória de seu fundador, Bruce McLaren.
O nome McLaren ganhará uma tipografia retrô inspirada nas letras usadas no posto de serviços da família de Bruce McLaren, na Nova Zelândia.

Já o conhecido símbolo Speedmark ficará mais destacado e tridimensional, aparecendo com frequência crescente separado do próprio nome McLaren em diferentes aplicações visuais.
A renovação acompanha um plano de produto que prevê pelo menos um lançamento por ano até 2028, levando a fabricante além de seu tradicional nicho de dois lugares.
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Entre as novidades estão o primeiro utilitário de alto desempenho com quatro portas, um hipercarro de 1.275 cv e um grand tourer de motor dianteiro com perfil de sedã.
Outra frente prevê uma nova categoria de supercarros ultrasseletos ligados à história da fabricante, ampliando a oferta para clientes interessados em produtos ainda mais exclusivos.
Antes disso, a McLaren prepara para o fim do próximo verão um cupê híbrido de motor central com aproximadamente 821 cv, identificado internamente pelo código P34.

Posicionado entre Artura e 750S, o P34 terá motor V6 biturbo e transmissão desenvolvidos internamente, com torque esperado de aproximadamente 110,6 kgfm.
Segundo um revendedor presente, o modelo procura homenagear a tradição da McLaren nas pistas e terá preço inicial próximo de US$ 313.000 (R$ 1,71 milhão), antes do frete.
A fabricante pretende produzir aproximadamente 1.000 unidades globalmente no primeiro ano, colocando o novo cupê em uma faixa mais limitada dentro de sua gama.
Participantes descreveram o P34 como mais comprido que o Artura e equipado com uma dianteira em formato de cunha inspirada no clássico McLaren F1.
Entre os detalhes estão cobertura de vidro temperado sobre o motor, bancos redesenhados em couro Nappa e anilina, grande tela LED e quadro digital de alta definição.

A ampliação da presença americana também inclui cinco centros próprios da marca planejados para Nova York, Miami, Dallas, Los Angeles e Las Vegas.
Essas unidades deverão priorizar cultura da marca, eventos para clientes, apresentações de lançamentos, história nas corridas e possibilidades de personalização, em vez de simplesmente vender automóveis.
Atualmente, a McLaren possui 27 concessionárias nos Estados Unidos, responsáveis em conjunto por quase 300 carros novos anuais, segundo estimativas do Automotive News Research & Data Center.
O movimento acompanha a visão do CEO Nick Collins, que pretende ampliar reconhecimento e envolvimento com a McLaren sem estabelecer como prioridade imediata uma meta específica de volume.
Durante a Monterey Car Week, em agosto, Collins afirmou querer uma marca sobre a qual as pessoas conversem e produtos capazes de gerar maior entusiasmo, interesse e reconhecimento.
A transformação ocorre enquanto o W1 de US$ 2,1 milhões (R$ 11,45 milhões), com 1.275 cv, abre caminho para essa nova sequência de modelos e experiências.
