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Mato Grosso registra mais de 28 mil vítimas de violência doméstica em 2026 e lança mobilização do Agosto Lilás

Mato Grosso registrou um total alarmante de 28.369 mulheres vítimas de violência doméstica e familiar apenas no primeiro semestre de 2026, o que representa uma média diária de 135 casos no estado. Os dados estatísticos foram compilados e divulgados pelo Observatório Caliandra, vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), coincidindo com a semana em que a histórica Lei Maria da Penha completa 20 anos de vigência no país.

De acordo com o levantamento analítico, o volume de ocorrências computado nos primeiros meses já alcança pouco mais da metade das 54.049 notificações registradas ao longo de todo o ano de 2025, evidenciando que a violência de gênero e o machismo estrutural continuam figurando entre os maiores e mais persistentes desafios para a efetivação das políticas públicas de proteção à mulher.

Tipificação dos crimes e lançamento da Operação Agosto Lilás

O relatório detalha os delitos mais frequentes que compõem as estatísticas estaduais. O crime de ameaça lidera isoladamente as ocorrências com 9.640 registros, seguido de perto por lesão corporal (4.993), injúria (3.543), violência psicológica (2.265) e difamação (1.815). O monitoramento também contabiliza centenas de episódios graves de perseguição (stalking), descumprimento sistemático de medidas protetivas, estupro e assédio sexual.

Como marco alusivo ao aniversário da legislação de proteção, as forças de segurança pública e os poderes constituídos lançaram oficialmente a Operação Agosto Lilás, campanha de conscientização nacional instituída pela Lei Federal nº 14.448/2022. As ações integradas ocorrerão durante todo o mês de agosto nos 142 municípios mato-grossenses, englobando palestras educativas, orientação jurídica sobre direitos, ampla divulgação dos canais de denúncia (como o Disque 180 e o 190) e o fortalecimento operativo da rede de apoio às vítimas.

Segundo a Polícia Militar, o foco principal da campanha é ampliar o acesso à informação qualificada e combater um dos maiores entraves no enfrentamento ao problema: a subnotificação, frequentemente alimentada pelo medo, pela dependência emocional ou pela vulnerabilidade financeira das vítimas em relação aos agressores.

Queda nos feminicídios e investimentos estaduais

Apesar do elevado índice de ocorrências gerais, indicadores consolidados pelo Governo do Estado apontam uma importante retração nos casos extremos de feminicídio no primeiro semestre de 2026. Entre os meses de janeiro e junho, foram contabilizados 25 feminicídios em Mato Grosso, frente a 27 registros no mesmo período de 2025, o que representa uma redução de 7,4% — resultado atribuído ao aprimoramento da rede de proteção e à capilaridade das políticas públicas.

Dados oficiais do Executivo estadual mostram que, em 2025, foram injetados R$ 93,4 milhões em programas estratégicos de combate à violência de gênero. O aparato protetivo inclui iniciativas de destaque como o Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, as Salas Lilás, a Casa de Eurídice, o Plantão 24 Horas de atendimento em Cuiabá, a Delegacia Especializada 24 Horas de Várzea Grande, o Botão do Pânico, o aplicativo SOS Mulher, a expansão contínua da Patrulha Maria da Penha, o programa SER Família Mulher e o monitoramento eletrônico rigoroso de agressores.

Atuação intensificada do Poder Judiciário

Em paralelo às ações do Executivo, o Poder Judiciário de Mato Grosso intensificará o cronograma de enfrentamento à violência doméstica ao longo do mês. Entre os destaques estão as atividades do projeto Cemulher e o programa Lei Maria da Penha nas Escolas, que prevê a realização de 17 palestras formativas em escolas estaduais situadas em Cuiabá, Várzea Grande e Acorizal.

Além disso, o Tribunal de Justiça coordenará a mobilização da 33ª Semana Justiça Pela Paz em Casa, período em que as Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar concentrarão pautas de audiências de instrução e julgamento para conferir maior celeridade processual e rigor na concessão e fiscalização de medidas protetivas de urgência.

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