A saída de baterias usadas do Japão vem levando junto materiais estratégicos valiosos, cenário que agora motiva uma tentativa inédita de recuperar esses recursos dentro do próprio país.
A Sumitomo Metal Mining inaugurou em Saijo, na província de Ehime, a primeira instalação japonesa dedicada à reciclagem de baterias provenientes de EVs.
A cerimônia de conclusão ocorreu nesta sexta-feira, marcando a entrada em operação de uma unidade construída em 10.000 m² dentro do complexo Toyo Smelter & Refinery.
A capacidade anual chega a 10.000 toneladas métricas, volume equivalente às baterias de aproximadamente 60.000 Nissan Leaf equipados com conjuntos de 40 kW.
As operações experimentais começaram em julho, enquanto a Sumitomo Metal pretende elevar gradualmente o ritmo até alcançar funcionamento pleno dentro dos próximos anos.
O processo começa fora da instalação, onde uma empresa de pré-processamento tritura baterias usadas até transformá-las no material em pó conhecido como black mass.
Depois de recebida pela Sumitomo Metal, essa black mass passa por duas etapas destinadas à recuperação de lítio, cobalto e níquel para reaproveitamento industrial.
A reciclagem japonesa avançou lentamente até agora devido à adoção relativamente baixa de EVs, mas preocupações de segurança econômica estimularam o investimento da companhia.
Masaru Takebayashi, gerente-geral da divisão de metais não ferrosos da Sumitomo Metal, afirma que a disputa por baterias usadas está ficando mais intensa internacionalmente.
Segundo Takebayashi, a expansão de instalações de refino na China está entre os fatores dessa concorrência, enquanto a empresa busca preservar recursos limitados e estabilizar fornecimentos futuros.
Dados do Japan Research Institute indicam que veículos elétricos usados representaram aproximadamente 80% de todos os EVs exportados pelo Japão até 2024.
Junto desses veículos saíram do país metais raros avaliados em cerca de ¥ 17,5 bilhões (R$ 635,3 milhões), reduzindo o volume disponível para reaproveitamento local.
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Subsídios destinados a EVs novos também diminuíram a procura por unidades usadas no Japão, enquanto o iene enfraquecido favoreceu compradores de outros mercados.
As exportações japonesas de EVs usados chegaram a 29.300 unidades no ano passado, volume quase quatro vezes superior ao registrado cinco anos antes.
Grande parte desses veículos segue para economias emergentes, entre elas Sri Lanka e Quênia, reforçando o fluxo internacional de baterias que poderiam alimentar a reciclagem doméstica.
A China concentra mais de 70% do mercado mundial de refino e processamento de lítio e cobalto, segundo a Agência Internacional de Energia.
O país também retirou no ano passado sua restrição às importações de black mass, ampliando sua capacidade de disputar internacionalmente esse material intermediário.
Os Estados Unidos começaram a restringir exportações de black mass no fim de agosto, enquanto a União Europeia exige determinadas proporções de materiais reciclados na fabricação de baterias.
O governo japonês oferece subsídios e outras medidas para estimular a reciclagem, embora analistas considerem que o apoio atual ainda não acompanha o tamanho do desafio.
Yoshikiyo Shimamine, pesquisador sênior do Daiichi Life Research Institute, afirma que o Japão funciona hoje como fornecedor de baterias descartadas e está atrasado na gestão desses recursos.
A própria Sumitomo Metal inicialmente previa obter domesticamente mais de 80% da black mass utilizada pela nova instalação, mas reduziu essa estimativa para aproximadamente 20% em maio.
Garantir matéria-prima suficiente passou, portanto, a depender também de fornecedores externos, num cenário em que Estados Unidos e China procuram assegurar seus próprios estoques.
Também em maio, a empresa anunciou um plano para importar black mass recuperada na Austrália por meio de parceria com a trading Sumitomo Corp.
Takebayashi afirma que a intenção é buscar esse material principalmente em países ocidentais, diversificando fornecedores e sustentando a operação japonesa de reciclagem no longo prazo.
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