O iene fraco virou uma importante fonte de alívio para as grandes montadoras japonesas, compensando parte das dificuldades comerciais enfrentadas simultaneamente no Oriente Médio e na China.
Entre as sete maiores fabricantes que divulgaram resultados de abril a junho, seis registraram lucro líquido maior ou voltaram ao azul, com exceção da Subaru.
O desempenho ocorreu apesar de interrupções logísticas e custos mais elevados relacionados à instabilidade no Oriente Médio, obrigando as empresas a redesenhar rotas e redistribuir vendas.
A Toyota estima agora impacto negativo de ¥ 510 bilhões (R$ 16,10 bilhões) no lucro operacional do ano fiscal que termina em março do próximo ano.
A previsão anterior apontava perda de ¥ 670 bilhões (R$ 21,15 bilhões), considerando reduções de produção e custos maiores de matérias-primas provocados pela situação regional.
A melhora reflete medidas como o uso de transporte terrestre para evitar o Estreito de Ormuz, além da redução dos preços de matérias-primas desde abril.
Mesmo sob essa pressão, o lucro líquido trimestral da Toyota cresceu 75,6%, alcançando ¥ 1,477 trilhão (R$ 46,63 bilhões) frente ao mesmo período anterior.
A desvalorização do iene ajudou diretamente, já que receitas obtidas no exterior passam a valer mais quando convertidas para a moeda japonesa.
A Nissan segue direção diferente no Oriente Médio e elevou sua estimativa de impacto negativo entre abril e setembro para cerca de ¥ 20 bilhões (R$ 631,2 milhões).
Em maio, a companhia previa aproximadamente ¥ 15 bilhões (R$ 473,4 milhões), segundo George Leondis, diretor financeiro da fabricante japonesa.
Leondis atribuiu a piora principalmente aos custos logísticos maiores e à redução de negócios de pós-venda, embora rotas alternativas tenham limitado parte das perdas.
Ivan Espinosa, presidente e CEO da Nissan, alertou que esses custos elevados e a incerteza geopolítica devem continuar limitando a rentabilidade até a normalização das cadeias.
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Na Mazda, o diretor financeiro Jeffrey Guyton afirmou que a empresa atualmente não produz veículos destinados ao Oriente Médio e avaliará novas decisões a partir de agosto.
Segundo Guyton, a região reúne mercados importantes, porém não muito grandes, permitindo que a Mazda redirecione veículos para outros destinos caso o transporte permaneça limitado.
O câmbio também levou a Toyota a revisar sua projeção de ¥ 150 para ¥ 160 por dólar durante o atual exercício fiscal.
A Honda fez movimento semelhante, alterando sua expectativa de ¥ 145 para ¥ 155 por dólar e elevando sua previsão de resultados para o ano.
Se o Oriente Médio exige soluções logísticas, a China representa um desafio comercial ainda mais profundo para várias fabricantes japonesas, com perdas significativas de participação.
A Nissan reduziu sua previsão anual de vendas chinesas de 710.000 para 580.000 veículos, após crescimento de 7% entre janeiro e março e queda de 32% entre abril e junho.
Espinosa afirmou que a empresa pretende acelerar sua transição para NEVs e ampliar exportações produzidas na China, cujos embarques começaram em julho.
Toyota e Lexus venderam juntas 320.000 veículos na China entre abril e junho, resultado 28% menor que o registrado no mesmo período anterior.
Takanori Azuma, responsável pelo grupo contábil da Toyota, disse que a empresa pretende estreitar o trabalho com parceiros locais, inclusive por meio de desenvolvimento conjunto.
A Honda enfrenta quadro ainda mais difícil, com vendas preliminares chinesas próximas de 83.000 unidades entre abril e junho, uma redução anual de 47%.
A fabricante também prorrogou por dez anos sua parceria com a Guangzhou Automobile Group, conhecida como GAC, mantendo o acordo vigente até 2038.
Masao Kawaguchi, diretor executivo e diretor financeiro da Honda, afirmou que dúvidas anteriores sobre a continuidade da parceria além de 2028 contribuíram para enfraquecer as vendas.
Segundo Kawaguchi, Honda e fornecedores já discutem os próximos modelos, enquanto a fabricante prepara uma estratégia para recuperar competitividade no mercado chinês.
