A transição energética das motocicletas indianas seguirá um caminho diferente na Honda, que prefere ampliar o uso de etanol antes de apostar integralmente nas baterias.
A Honda Motorcycle & Scooter India considera que soluções sustentáveis precisam funcionar na prática, permanecer acessíveis e atender às necessidades reais dos consumidores locais.
Tsutsumu Otani, presidente e CEO da divisão indiana de duas rodas da Honda Motor Co., apresentou essa visão durante um evento realizado na sexta-feira.
Segundo o executivo, um mercado tão diverso quanto o indiano não pode depender de apenas uma tecnologia para reduzir as emissões de motocicletas e scooters.
A estratégia inclui modelos flex capazes de utilizar gasolina misturada com 85% de etanol, conhecida como E85, além de versões preparadas para etanol puro.
Motores a combustão mais avançados também permanecem nos planos, formando uma abordagem que combina combustíveis alternativos, eletrificação e evolução mecânica.
A escolha mantém a Honda em posição cautelosa diante da rápida expansão dos EVs de duas rodas observada em algumas regiões da Índia.
Dados governamentais de registros mostram que modelos elétricos responderam por 8% das mais de 20 milhões de motocicletas e scooters vendidas até março.
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Estratégia da Honda na Índia com motos flex E85 e etanol puro vale mais que apostar só em elétricas?
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Honda, Suzuki Motor Corp. e Yamaha Motor Co. comercializaram juntas apenas 4.746 unidades elétricas, participação inferior a 1% desse segmento.
O resultado evidencia a distância entre as fabricantes japonesas e concorrentes locais como TVS Motor Co. e Bajaj Auto Ltd.
Empresas especializadas, entre elas Ather Energy Ltd. e Ola Electric Ltd., também ocupam posições relevantes no mercado de scooters movidas por bateria.
Otani afirma que a adoção dos EVs permanece concentrada principalmente no sul do país, onde a rede de recarga está mais desenvolvida.
Áreas rurais continuam priorizando modelos tradicionais, influenciadas pela disponibilidade limitada de carregadores e por uma infraestrutura energética considerada pouco uniforme.
Quedas no fornecimento de energia e diferenças regionais no acesso à recarga reforçam a decisão de evitar uma mudança rápida e exclusiva para os EVs.
Para o executivo, consumidores não escolhem necessariamente entre combustão e eletricidade, mas procuram produtos que entreguem valor adequado ao uso cotidiano.
A avaliação da Honda é que a base elétrica indiana ainda depende demais da infraestrutura para justificar uma expansão mais agressiva neste momento.
Essa postura acompanha o reposicionamento global da empresa, cuja controladora japonesa também reduz sua presença entre os EVs vendidos nos Estados Unidos.
A retração norte-americana ocorre depois de investimentos considerados tardios e elevados durante um período de forte expectativa em torno da eletrificação.
Na Índia, porém, a Honda pretende manter opções elétricas dentro de uma estratégia de múltiplos caminhos, sem colocá-las como solução única.
O etanol ganha importância por permitir redução de emissões sem exigir a mesma rede de carregamento necessária aos veículos movidos exclusivamente por bateria.
A alternativa também aproveita hábitos já estabelecidos entre consumidores que conhecem os modelos a combustão e dependem de postos espalhados por áreas mais amplas.
A empresa acredita que essa combinação oferece maior flexibilidade para um país marcado por diferenças significativas entre grandes cidades, regiões industriais e comunidades rurais.
Além do mercado interno, a Honda utiliza a Índia como base de exportação para aproximadamente 60 países, principalmente na América Latina e na África.
Esse alcance internacional aumenta o peso das decisões locais, pois tecnologias desenvolvidas ou produzidas no país podem atender mercados com condições semelhantes.
A aposta no etanol, portanto, não representa o abandono completo dos EVs, mas uma tentativa de avançar sem depender exclusivamente de baterias e carregadores.
O desafio será provar que os modelos flex conseguem combinar preço, eficiência e disponibilidade suficiente para competir com a expansão das scooters elétricas indianas.
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