Uma possível união entre Tesla e SpaceX depende primeiro de uma decisão delicada sobre as operações chinesas da fabricante de EVs controlada por Elon Musk.
Segundo o Wall Street Journal, assessores estudam separar a divisão local antes de qualquer acordo, considerando alternativas como venda, cisão ou encerramento das atividades.
Alguns executivos da Tesla já teriam recebido orientações para preparar essa reorganização, embora nenhuma estrutura definitiva tenha sido escolhida até agora.
Musk negou publicamente a reportagem e classificou as informações como “notícia falsa”, enquanto a Tesla não respondeu ao pedido de comentário do jornal.
A ideia de aproximar as companhias, porém, não surgiu agora, pois o empresário já comentou anteriormente sobre possíveis conexões entre seus diferentes negócios.
A SpaceX controla a xAI, incorporada anteriormente ao antigo Twitter, e Musk vem reorganizando suas empresas ao redor de projetos ligados à inteligência artificial.
Investidores voltaram a discutir uma união depois da abertura de capital recorde da SpaceX, que levantou US$ 86 bilhões (R$ 439,5 bilhões) em junho.
Durante uma conversa recente com investidores, Musk afirmou que combinações empresariais exigem procedimentos adequados e não poderiam ser detalhadas em uma teleconferência financeira.
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A principal dificuldade envolve o papel da SpaceX como grande fornecedora do governo norte-americano em programas relacionados à segurança nacional e atividades altamente reguladas.
A companhia lança satélites secretos e fornece serviços de internet em regiões de conflito, incluindo a Ucrânia, além de participar de projetos governamentais classificados.
Vendas ao governo dos Estados Unidos representaram 20,9% dos negócios da SpaceX em 2025, submetendo parte das atividades a controles rígidos de exportação.
Uma incorporação direta da Tesla colocaria fábricas chinesas sob o controle de uma empresa ligada à área de defesa norte-americana, aumentando o escrutínio de Pequim.
Por isso, a separação funcionaria como uma barreira entre a subsidiária chinesa e os negócios norte-americanos, reduzindo possíveis incompatibilidades regulatórias e geopolíticas.
Musk já teria pedido anteriormente que a Tesla organizasse suas estruturas americana e chinesa com uma divisão clara entre equipes, sistemas e responsabilidades operacionais.
O objetivo seria preservar pelo menos a parte norte-americana caso as relações entre Estados Unidos e China se deteriorassem de maneira mais intensa.
Outra possibilidade discutida envolve criar uma empresa comercial independente para administrar as exportações realizadas pela fábrica da Tesla instalada em Xangai.
A fabricante também poderia adotar plataformas administrativas separadas e impedir que funcionários baseados na China acessassem diretamente determinadas áreas globais do grupo.
Apesar de alguma autonomia regional, as equipes ainda colaboram internacionalmente, enquanto Tom Zhu, principal executivo chinês, supervisiona toda a operação automotiva mundial da Tesla.
A China permanece como o segundo maior mercado da empresa e abriga duas grandes unidades industriais em Xangai, tornando qualquer afastamento especialmente complexo.
Autoridades chinesas provavelmente avaliariam o destino do conhecimento industrial, das cadeias de fornecedores e das tecnologias desenvolvidas dentro dessas instalações locais.
Outro ponto envolve os dados de aproximadamente 2 milhões de proprietários chineses de veículos Tesla, que poderiam ficar ligados a uma contratada norte-americana de defesa.
Pequim também poderia exigir compromissos para limitar a influência da SpaceX e evitar a transferência inadequada de itens de uso duplo, incluindo terras raras.
O governo de Donald Trump adota uma postura mais rígida diante de empresas associadas à China, aumentando os obstáculos para uma combinação entre os dois grupos.
Separar a operação chinesa poderia facilitar a união sem comprometer contratos governamentais da SpaceX, ao mesmo tempo que ofereceria garantias adicionais às autoridades locais.
Ainda não existe prazo confirmado para uma decisão, mas a discussão indica que a estrutura global da Tesla pode mudar antes de qualquer aproximação formal.
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