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Dona de Scania e MAN entra na reorganização da Volkswagen, que planeja reduzir sua fatia bilionária até o limite para manter o controle

Traton Marcas 1

A busca da Volkswagen por uma estrutura mais enxuta começa a alcançar também a Traton, fabricante de caminhões na qual o grupo alemão prepara nova redução acionária.

A Volkswagen controla atualmente 87,5% da dona de Scania e MAN, participação avaliada em € 16,6 bilhões (R$ 99,1 bilhões).

Christian Levin, CEO da Traton, afirma perceber uma cobrança crescente do principal acionista por disciplina muito maior envolvendo dinheiro, custos e novos investimentos.

O movimento acontece enquanto a Volkswagen amplia seu programa de economia depois de perder competitividade, situação agravada pela forte queda das vendas no mercado chinês.

Recentemente, o maior fabricante de automóveis da Europa reforçou que pretende concentrar recursos em seu negócio automotivo central e se desfazer de determinados ativos.

Dentro dessa reorganização, a meta continua sendo reduzir a participação na Traton para 75% mais uma ação, nível suficiente para preservar o controle da companhia.

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Levin considera que uma quantidade maior de ações disponíveis ao mercado poderia atrair novos investidores e aproximar a cotação da Traton de seu desempenho operacional.

Uma base acionária mais diversificada também poderia trazer conhecimentos adicionais, principalmente em desenvolvimento tecnológico e inteligência artificial, segundo o executivo da fabricante de caminhões.

Levin afirma preferir investidores com diferentes origens geográficas, competências e horizontes de investimento, embora não participe diretamente do processo conduzido pela Volkswagen.

A possibilidade possui significado especial na Suécia, sede da Scania, onde empresas ligadas à família bilionária Wallenberg tiveram participação importante na história da companhia.

Entidades do grupo, incluindo a Investor AB, venderam suas últimas ações para a Volkswagen em 2008 após uma longa disputa envolvendo a estrutura de propriedade.

Atualmente, a SEB Funds aparece como segunda maior acionista divulgada da Traton, com pouco mais de 3%, e pertence à SEB.

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O maior acionista da SEB é justamente a Investor AB, ligada aos Wallenberg, mantendo uma conexão indireta da tradicional família sueca com a fabricante.

A Volkswagen colocou a Traton na bolsa em 2019, operação que mostrou capacidade de reorganizar seu amplo portfólio, embora a oferta tenha sido relativamente pequena.

A precificação ficou na parte inferior da faixa inicialmente pretendida, contribuindo para uma estreia considerada pouco expressiva diante do tamanho do grupo.

Em março de 2025, a Volkswagen vendeu outros 2,2% da Traton por aproximadamente € 360 milhões (R$ 2,2 bilhões), chegando à participação atual.

A operação buscou ampliar a quantidade de ações disponíveis para negociação e melhorar a liquidez dos papéis da fabricante de veículos comerciais.

Oliver Blume, CEO da Volkswagen, estima que os custos administrativos do grupo sejam aproximadamente 20% superiores aos observados entre empresas concorrentes.

Um plano inicial chegou a considerar praticamente dobrar as reduções de pessoal para cerca de 100 mil posições, mas encontrou forte resistência dos representantes dos trabalhadores.

As conversas sobre novas economias deverão continuar nas próximas semanas, enquanto a administração examina uma estrutura corporativa que reúne participações em mais de 2.000 empresas.

Esse processo já levou a Volkswagen a concordar, em junho, com a venda de 51% da unidade de motores marítimos Everllence.

A transação deverá gerar aproximadamente € 7,4 bilhões (R$ 44,2 bilhões), reforçando a estratégia descrita por Blume como uma área importante de transformação do portfólio.

Apesar da pressão do controlador, a Traton apresentou desempenho superior ao esperado no primeiro semestre, com lucro operacional de € 957 milhões (R$ 5,7 bilhões).

Os pedidos de caminhões avançaram 49%, incluindo volume quase três vezes maior na América do Norte, levando a companhia a elevar o limite inferior de sua projeção anual de margem.

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