O diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Tangará da Serra, Roberto de Souza Siqueira, afirmou que ele e outros policiais penais receberam ameaças após o início de operações para combater a entrada de drogas, aparelhos celulares e outros materiais ilícitos na unidade prisional. As declarações foram feitas após a prisão em flagrante de um policial penal suspeito de facilitar a entrada desses objetos no presídio, durante uma ação conjunta da Polícia Judiciária Civil e da Polícia Penal, realizada nesta quinta-feira (22).
De acordo com informações, o servidor foi preso durante uma investigação que apura a possível facilitação da entrada de materiais proibidos no CDP. Um detento também foi preso em flagrante após ser encontrado com sacolas contendo objetos ilícitos. Segundo a investigação, o policial penal teria facilitado o ingresso dos materiais na unidade.
O delegado responsável pelo caso, Ivan Albuquerque, informou que o servidor já era investigado após sucessivas apreensões de drogas e celulares no presídio. A Polícia Civil apura ainda a possível participação de outros agentes públicos, cuja responsabilidade deverá ser esclarecida no decorrer das investigações.
Em entrevista, o diretor do CDP explicou que a direção vem adotando medidas para impedir a circulação de materiais ilícitos, em parceria com a Polícia Civil. Segundo ele, as operações começaram no dia 2 de outubro e passaram a ser realizadas semanalmente.
“Na nossa gestão estamos adotando medidas severas, em parceria com a Polícia Judiciária Civil, na pessoa do doutor Ivan, para coibir ao máximo esse tipo de ilícito dentro da cadeia”, afirmou.
Roberto destacou que as ações não se limitam à apreensão de objetos proibidos, mas também buscam identificar possíveis facilitações para a entrada dos materiais na unidade prisional.
“A gente vem fazendo operações desde o dia 2 do mês de outubro, todas as semanas fazendo operações para identificar e retirar esses ilícitos, e também nessas investigações de possíveis facilitações dentro da unidade”, declarou.
O diretor também revelou que as medidas de fiscalização foram seguidas por ameaças direcionadas a ele e a outros servidores. Conforme relatou, os episódios foram registrados em boletins de ocorrência e comunicados às autoridades competentes.
“No dia 16 houve essas ameaças diretas aos nossos policiais e à minha pessoa, e na data de ontem também, dia 22, teve ameaça direta à pessoa do diretor, que se não parasse com as operações dentro do presídio, que ia sofrer retaliações e teve ameaça de morte”, relatou.
As ameaças, segundo o diretor, teriam sido feitas para pressionar a direção a interromper as operações de fiscalização. O caso foi comunicado às autoridades, que poderão apurar as circunstâncias e identificar os responsáveis.
Apesar da prisão de um integrante da Polícia Penal, Roberto ressaltou que a ocorrência não deve ser generalizada para toda a categoria. Ele classificou a situação como um caso isolado e afirmou que a instituição continuará atuando para combater irregularidades dentro do sistema prisional.
“Eu gostaria muito de pontuar isso, que isso são casos isolados e que, se for preciso de cortar na carne, a gente vai cortar na carne, porque a Polícia Penal é uma polícia séria, que trabalha diuturnamente nos esforços para poder manter a criminalidade do jeito que tem que ser”, declarou.
Conforme as informações divulgadas sobre a ocorrência, o policial penal foi autuado por suspeita de favorecimento real e tráfico de drogas. O delegado informou que solicitará a prisão preventiva do investigado, cuja situação deverá ser analisada pela Justiça em audiência de custódia.