As metas financeiras da Volkswagen voltam a causar tensões internas justamente antes de Oliver Blume apresentar aos funcionários uma nova etapa de seu plano de redução de custos.
Christiane Benner, vice-presidente do conselho de supervisão do grupo e presidente do sindicato alemão IG Metall, questionou publicamente a viabilidade dos objetivos definidos pela administração.
Segundo ela, alcançar margem operacional sobre vendas de 9% nas atuais condições geopolíticas parece distante da realidade, especialmente diante dos efeitos que essa meta teria sobre produtos e fábricas.
A declaração foi publicada pela revista WirtschaftsWoche em 21 de agosto, poucos dias antes do início de uma série de encontros entre Blume e trabalhadores da companhia.
O Volkswagen Group, que também reúne Porsche e Audi, estabeleceu como objetivo chegar a uma margem operacional sobre vendas entre 8% e 10% até 2030.
O contraste é relevante porque a margem registrada pela companhia no segundo trimestre ficou em 4,2%, menos da metade do ponto central pretendido para o fim da década.
Blume tenta recuperar a rentabilidade após anos de deterioração dos resultados e pretende detalhar seus planos aos funcionários a partir de 25 de agosto, em Wolfsburg.
A margem de ação do CEO ficou menor no mês passado, depois que o conselho de supervisão resistiu a propostas mais duras apresentadas para reestruturar as operações alemãs.
Entre as medidas discutidas estavam o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e a eliminação de até 100.000 postos de trabalho, iniciativas rejeitadas pelos representantes dos empregados.
Blume afirmou em entrevista interna que os custos administrativos da Volkswagen estão mais de 30% acima dos registrados por empresas comparáveis, criando uma desvantagem competitiva relevante.
Diante desse cenário, a administração passou a avaliar outras formas de economizar, incluindo uma nova redução de 500.000 unidades na capacidade anual de produção europeia.
A companhia também estuda enxugar cargos de gestão e funções administrativas, além de reduzir de maneira expressiva a quantidade de modelos oferecidos por suas diferentes marcas.
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As negociações entre a direção e os representantes dos trabalhadores continuam abertas, sem um acordo definitivo sobre o alcance das mudanças ou sobre quais produtos seriam afetados.
Benner afirma que o conselho executivo precisa apresentar um plano muito mais detalhado antes que o conselho de supervisão possa aprovar qualquer pacote adicional de economia.
Para a dirigente sindical, ainda falta explicar exatamente quais modelos seriam envolvidos e por quais caminhos a Volkswagen pretende transformar suas metas financeiras em resultados concretos.
Ela também reiterou que o fechamento de fábricas não é considerado aceitável pelos representantes dos empregados e defendeu perspectivas de longo prazo para quem trabalha no grupo.
A discussão coloca a Volkswagen diante de um equilíbrio delicado entre recuperar margens, reduzir estruturas consideradas caras e preservar capacidade industrial e empregos na Alemanha.
Blume chega aos encontros de Wolfsburg pressionado a mostrar números, medidas e prioridades capazes de convencer tanto os funcionários quanto um conselho de supervisão com forte influência sindical.
A distância entre os atuais 4,2% e a meta de 8% a 10% até 2030 transforma esse debate em uma das decisões estratégicas mais importantes da Volkswagen nos próximos anos.
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