Luxo extremo e desempenho monumental não garantem praticidade, como Mike Fernie descobriu após passar 12 horas usando um hipercarro nas tarefas cotidianas.
O ex-apresentador do DriveTribe recebeu um Bugatti Veyron avaliado em US$ 2,1 milhões (R$ 11,7 milhões) para conduzir pelas ruas britânicas.
O período relativamente curto foi suficiente para mostrar que o motor não representa a maior dificuldade enfrentada por quem pretende usar o modelo diariamente.
Altura reduzida, visibilidade limitada, espaço quase inexistente para bagagens e características da cabine tornam compromissos comuns bem mais trabalhosos do que deveriam.
Mate Rimac defende que supercarros e hipercarros, inclusive os mais extremos, devem sair regularmente das garagens em vez de permanecer apenas guardados.

A ideia parece atraente, mas alguns modelos foram projetados com prioridades que deixam conforto, espaço e facilidade de condução em segundo plano.
Uma Ferrari California, por exemplo, pode cumprir essa função por oferecer boa visibilidade, cabine confortável, espaço razoável e funcionamento considerado confiável.
A experiência muda completamente numa Ferrari F40, que combina carroceria muito baixa, ausência de ABS, falta de controle de tração e direção sem assistência.
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Cada mudança de direção exige mais esforço, enquanto o som direto do motor pode se tornar cansativo para ocupantes e moradores das redondezas.
O Veyron ocupa uma posição curiosa nesse cenário, pois sua mecânica monumental se mostra surpreendentemente dócil durante deslocamentos lentos e trechos urbanos.

Matthew Honeysett, responsável por emprestar o carro de sua empresa, afirma que o Bugatti é simples e previsível de conduzir em condições normais.
Ainda assim, ele lembra que existem mais de 1.622 cv sob o pedal direito, produzidos por um motor de 8,0 litros com quatro turbocompressores.
Essa reserva exige atenção constante, mesmo que a entrega de potência seja controlável durante uma rotina distante de pistas ou estradas abertas.
A posição próxima ao asfalto cria outro desafio, principalmente num país como o Reino Unido, onde o pavimento nem sempre apresenta superfície regular.
Fernie esperava reações mais duras, porém descobriu uma suspensão relativamente flexível, capaz de absorver imperfeições sem transmitir impactos excessivos à cabine.
Segundo ele, o carro se movimenta bastante sobre ondulações, mas mantém um comportamento menos rígido e desconfortável do que sua aparência sugere.

A visibilidade traseira, por outro lado, é bastante restrita, porque a pequena área envidraçada oferece pouca informação sobre o movimento ao redor.
O para-brisa muito curvado também interfere na percepção externa, aumentando o esforço necessário para posicionar corretamente um automóvel tão largo e valioso.
A principal limitação aparece ao entrar na cabine e tentar acomodar objetos simples, compras ou qualquer bagagem necessária durante o dia.
O compartimento dianteiro é tão pequeno que praticamente não aceita volumes úteis, obrigando o proprietário a recorrer ao banco do passageiro.
Mesmo essa alternativa oferece capacidade reduzida, especialmente quando outra pessoa ocupa o assento ou quando a viagem exige mais que poucos itens.
Uma simples passagem pelo supermercado já se torna complicada, a menos que as compras se resumam a uma maçã e uma garrafa de água.
Após 12 horas, Fernie conclui que o Veyron pode circular tranquilamente em baixa velocidade, mas cobra concessões demais para assumir uma rotina convencional.
Seu desempenho continua impressionante, porém a falta de espaço e a limitada visão externa pesam mais que a potência numa utilização diária.
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