A rejeição aos interiores dominados por telas começa a mudar decisões de várias fabricantes, mas a BMW escolheu seguir na direção oposta e eliminar ainda mais botões.
O iX3 deixa essa filosofia evidente ao manter pouquíssimos comandos físicos, mesmo num momento em que consumidores pressionam outras marcas pela volta de controles tradicionais.
Na cabine do SUV, restam basicamente o seletor de direção e ré, o comando das luzes de emergência e o botão do freio de estacionamento.
Praticamente todas as demais funções passam pela tela ou por outros recursos digitais, numa abordagem que a BMW considera compatível com a evolução dos hábitos dos consumidores.
Vikram Pawah, CEO do BMW Group Australia, afirma que é preciso entender por que essa transformação ocorre antes de avaliar para onde os interiores caminharão.

Segundo Pawah, o automóvel não funciona mais como um objeto isolado, pois acompanha mudanças tecnológicas que já fazem parte da rotina das pessoas.
A BMW diz enxergar consumidores interessados em toque e comandos de voz, comportamento que o executivo relaciona principalmente às gerações mais jovens e digitalizadas.
Para Pawah, esse público adota novas tecnologias mais rapidamente e utiliza interfaces por voz e toque com maior naturalidade em diferentes situações do cotidiano.
A posição contrasta com o movimento observado em Toyota, Audi, Volkswagen e Polestar, que começaram a rever interiores excessivamente dependentes de superfícies digitais.
Michael Lohscheller, CEO da Polestar, afirmou que os clientes da marca têm sido bastante claros ao pedir novamente controles físicos dentro dos veículos.

A Audi também decidiu recuperar alguns desses comandos depois de ouvir consumidores, enquanto a Toyota continua avaliando comentários sobre a geração mais recente do RAV4.
Thomas Schäfer, CEO da marca Volkswagen, foi ainda mais categórico ao defender o retorno de botões reais e nomes facilmente identificáveis dentro dos automóveis.
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Como as exigências chinesas para 19 funções podem alterar a cabine digital do BMW iX3?
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Segundo Schäfer, a fabricante voltará a oferecer carros que possam ser compreendidos imediatamente, tratando a presença desses comandos como uma decisão não negociável.
A BMW, entretanto, usa sua própria história para sustentar que novidades impopulares inicialmente podem acabar sendo incorporadas aos hábitos dos motoristas ao longo do tempo.
Leanne Blanckenberg, responsável pela comunicação da BMW Australia, citou como exemplo o controlador iDrive, lançado pela fabricante alemã em 2001 sob forte resistência inicial.
Embora controles giratórios semelhantes ao iDrive nunca tenham dominado toda a indústria, a BMW considera aquela experiência um exemplo de adaptação progressiva a novas interfaces.
A estratégia atual ainda pode encontrar um obstáculo fora das pesquisas com consumidores, porque governos começam a discutir exigências específicas para determinados controles automotivos.
Na China, novas regras deverão exigir comandos físicos para 19 funções diferentes, movimento que também acompanha a pressão regulatória pela adoção de maçanetas convencionais.
Essa possível exigência poderá obrigar fabricantes a reconsiderar projetos extremamente minimalistas, independentemente da preferência declarada por telas, voz ou superfícies sensíveis ao toque.
Mesmo assim, a BMW continua avançando com uma cabine digital justamente quando concorrentes que seguiram caminho parecido começam a devolver botões aos seus modelos.
O sistema de voz da marca terá papel importante nessa aposta, pois atualmente consegue ajustar a temperatura e até ativar o modo Sport sem comando físico.
Para que a proposta funcione, essas alternativas precisarão responder de maneira rápida e previsível, reduzindo a necessidade de navegar por menus para tarefas utilizadas frequentemente.
Pawah também sugere que a maior aceitação pode vir dos compradores abaixo dos 45 anos, justamente o grupo mais associado pela BMW ao uso intenso de recursos digitais.
A incógnita é se essa preferência geracional será forte o suficiente para superar a reação de consumidores que, em outras marcas, já pressionaram pela volta das teclas.
Assim, enquanto parte da indústria recua depois de reduzir controles físicos, a BMW aumenta sua aposta numa cabine quase sem botões e confia que o público acompanhará.
