A pressão para baratear a produção na Alemanha chegou diretamente aos trabalhadores da Mercedes-Benz, que estuda medidas capazes de reduzir fortemente seus custos de pessoal.
A fabricante pretende economizar € 800 milhões em despesas trabalhistas no país, segundo informações publicadas pela revista econômica alemã WirtschaftsWoche em 24 de setembro.
Entre as alternativas analisadas está o aumento da jornada de trabalho sem pagamento adicional, medida que elevaria o número de horas trabalhadas mantendo a remuneração atual.
A empresa também estuda mudanças nos bônus de férias e de Natal, além da possibilidade de eliminar determinados pagamentos especiais concedidos atualmente aos funcionários.
A Mercedes-Benz não confirmou nenhuma dessas propostas e afirmou que não comentaria especulações relacionadas às negociações que continuam acontecendo internamente.

A discussão ganhou ainda mais peso depois de declarações feitas por Michael Schiebe, responsável pela produção da Mercedes, aos trabalhadores da fábrica de Sindelfingen.
Durante o encontro realizado em 22 de setembro, o executivo afirmou que produzir automóveis na Alemanha tornou-se caro demais diante das condições enfrentadas atualmente pela empresa.
Schiebe acrescentou que duas fábricas alemãs poderiam deixar de operar caso a Mercedes não consiga alcançar as reduções de custos consideradas necessárias.
A fabricante não revelou quais unidades estariam potencialmente envolvidas nessa possibilidade, mantendo sem identificação os locais que enfrentariam maior pressão financeira.
As declarações mostram como a Mercedes tenta reduzir despesas justamente em seu mercado doméstico, onde custos trabalhistas e industriais permanecem elevados para fabricantes globais.

A situação também faz parte de um movimento mais amplo enfrentado pela indústria automobilística europeia, que atravessa uma combinação difícil de desafios em diferentes regiões.
As fabricantes precisam lidar simultaneamente com maior concorrência de empresas asiáticas na Europa, excesso de capacidade produtiva, tarifas norte-americanas e lucros menores na China.
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A própria Mercedes vem reduzindo sua produção na Alemanha ao mesmo tempo em que amplia operações industriais na Hungria, onde os custos de fabricação são inferiores.
O movimento permite redistribuir parte da produção europeia para instalações mais competitivas, reduzindo a dependência das unidades alemãs para determinados volumes.
Outros grandes grupos também anunciaram programas significativos de redução de despesas, mostrando que a pressão não está limitada à Mercedes-Benz.
A Volkswagen apresentou um plano de reorganização que poderá atingir aproximadamente 100.000 posições em diferentes países ao longo de sua implementação.
A BMW, por sua vez, está eliminando cerca de 8.000 postos de trabalho enquanto também procura adaptar sua estrutura de custos ao novo ambiente competitivo.
Para a Mercedes, a negociação com os trabalhadores ganha importância adicional porque a empresa precisa equilibrar redução de despesas com a manutenção de sua base industrial alemã.
A possibilidade de ampliar jornadas, rever bônus e eliminar benefícios mostra até onde a fabricante considera necessário avançar para melhorar a competitividade de suas fábricas.
Caso as economias pretendidas não sejam alcançadas, as declarações de Schiebe indicam que mudanças ainda mais profundas na presença industrial alemã poderão entrar definitivamente na discussão.
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