• Home
  • Automobilismo
  • Mesmo com dúvidas sobre durabilidade e revenda, quase 30% dos americanos considerariam um carro chinês acima de US$ 45 mil

Mesmo com dúvidas sobre durabilidade e revenda, quase 30% dos americanos considerariam um carro chinês acima de US$ 45 mil

Byd Great Tang 2

O avanço das marcas chinesas fora de seu país começa a dividir o setor automotivo americano entre consumidores interessados em preços menores e concessionários preocupados com concorrência.

Cerca de metade dos compradores dos EUA ouvidos pela Dave Cantin Group afirma que consideraria adquirir um carro chinês, segundo seu mais recente Market Outlook Report.

O levantamento, produzido em parceria com a Martec Group e divulgado em 27 de agosto, ouviu aproximadamente 500 pessoas, sendo 421 consumidores e 76 concessionários.

Entre executivos e proprietários de lojas americanas, 60% demonstraram preocupação com uma eventual entrada de montadoras chinesas no mercado dos Estados Unidos.

Brian Gordon, presidente da consultoria automotiva Dave Cantin Group, avalia que essas empresas poderão entrar por concessionárias ou vendas diretas caso a legislação mude.

byd great tang (3)
byd great tang (3)

O interesse cresce enquanto grupos americanos acompanham a expansão chinesa na Europa e Austrália, incluindo a Penske Automotive Group Inc., que fechou acordo com a Xiaomi.

Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas notícias

A parceria anunciada em setembro prevê a comercialização de EVs da empresa chinesa de tecnologia na Alemanha, exemplo observado atentamente pelo varejo automotivo americano.

Barry Stoler, presidente da Len Stoler Automotive Group, considera que a chegada dessas empresas alteraria profundamente a dinâmica atual do setor de veículos nos Estados Unidos.

O grupo de Stoler, sediado em Owings Mills, Maryland, mantém cerca de 12 lojas que representam marcas como Toyota, Mercedes-Benz e Buick.

Segundo ele, concessionários locais teriam dificuldade para competir diretamente com os preços chineses, favorecidos por grandes volumes industriais e apoio financeiro do governo chinês.

Byd Great Tang 1
Byd Great Tang 1

O Estado chinês possui participações diretas em várias grandes montadoras do país, enquanto incentivos públicos também ajudam essas empresas a manter custos de produção inferiores.

Atualmente, tarifas elevadas e restrições envolvendo software e hardware chineses praticamente impedem esses veículos de entrar nos Estados Unidos, com regras previstas para 2027 e 2030.

Enquete

Que impacto a diferença entre US$ 50.089 e US$ 16.107 pode ter na disputa por compradores nos EUA?

Vote e veja o resultado em tempo real.





0 votos

Parlamentares americanos também analisam propostas capazes de impedir formalmente a comercialização desses automóveis, ampliando a incerteza sobre uma futura entrada das marcas chinesas.

A diferença de preços ajuda a explicar o interesse dos consumidores, pois um veículo novo custou em média US$ 50.089 (R$ 273.000) nos Estados Unidos em agosto.

Segundo a Kelley Blue Book, esse valor médio ficou 1,9% acima do registrado um ano antes, reforçando a pressão financeira enfrentada pelos compradores americanos.

Na China, um veículo da BYD teve preço médio de transação de aproximadamente US$ 16.107 (R$ 87.800) em outubro de 2025.

Dados citados pela Reuters em abril apontam ainda cerca de 200 veículos movidos a bateria, incluindo híbridos, disponíveis na China por menos de US$ 25.000 (R$ 136.300).

Stoler acredita que essa diferença permitiria às montadoras chinesas conquistar participação relevante de praticamente todas as concorrentes presentes atualmente no mercado americano.

A percepção não é uniforme entre concessionários, já que grupos sediados nos Estados Unidos, como a Group 1 Automotive Inc., representam marcas chinesas em outros países.

Um porta-voz da Group 1 Automotive preferiu não comentar se essa experiência internacional poderia resultar em parcerias semelhantes nos Estados Unidos no futuro.

Gordon afirma que ainda existem dúvidas sobre como funcionaria uma franquia chinesa, incluindo durabilidade dos produtos, valor de revenda e relação comercial com concessionários.

O relatório registra a pergunta de um dirigente de grupo do Nordeste sobre um carro manter qualidade após três anos e preservar algum valor numa futura troca.

Preço também não explica sozinho o interesse, pois quase 30% dos consumidores disseram considerar um modelo chinês custando US$ 45.000 (R$ 245.300) ou mais.

A diferença entre gerações é expressiva: 77% dos entrevistados com menos de 35 anos considerariam uma compra, contra apenas 36% entre pessoas de 55 anos ou mais.

Um presidente de grupo de concessionárias do Sudeste afirmou que origem de fabricação pesa menos atualmente, enquanto preço e conteúdo oferecido influenciam fortemente a decisão.

Gordon acrescenta que compradores mais jovens cresceram adquirindo produtos fabricados na China e tendem a priorizar custo e qualidade diante das dificuldades atuais de acessibilidade.

Para alguns varejistas, uma eventual autorização governamental mudaria a discussão para potencial de lucro, ampliação de clientes e viabilidade comercial de representar essas marcas.

Stoler prefere que as montadoras chinesas permaneçam fora dos Estados Unidos e defende tarifas que aproximem seus preços daqueles cobrados por concorrentes de outras origens.

Independentemente de vendas por concessionárias ou diretamente pelas fabricantes, ele acredita que a entrada chinesa traria uma mudança profunda ao equilíbrio competitivo do setor automotivo americano.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Cristão acusado de blasfêmia morre sob custódia no Paquistão

Cristãos sofrem intensa perseguição no Paquistão. (Foto: reprodução) O óbito de Amir Peter ocorreu devido…

Exportações de carne bovina de Mato Grosso caem em agosto puxadas por retração nas compras da China

As exportações de carne bovina de Mato Grosso registraram uma retração de 11,75% no mês…