Reter cerca de 70% de cada receita gerada transformou software e serviços em uma das áreas mais atraentes da General Motors.
A margem supera amplamente a obtida na venda tradicional de automóveis, atividade em que fabricantes podem conservar apenas entre 4% e 10% do faturamento.
Segundo informações publicadas pelo Business Insider, essa diferença ajuda a explicar por que cobranças mensais ganharam tanta importância nos planos da empresa.
Durante mais de um século, o setor dependeu basicamente de fabricar um carro, vendê-lo e esperar que o proprietário retornasse anos depois.
A conectividade muda essa lógica ao permitir que recursos, serviços e funções continuem gerando receita muito tempo após a entrega do veículo.

OnStar representa uma das principais bases desse negócio e deixou de ser apenas um botão associado a assistência em situações críticas.
A plataforma de serviços conectados movimentou aproximadamente US$ 800 milhões (R$ 4,4 bilhões) durante o segundo trimestre e continua ampliando sua clientela.
Outro destaque é o Super Cruise, tecnologia de condução sem as mãos oferecida inicialmente por um período gratuito em vários modelos da GM.
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Assinaturas digitais em carros, como OnStar e Super Cruise, valem o custo mensal de R$ 222?
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Muitos proprietários mantêm o serviço depois do encerramento dessa cortesia, comportamento considerado ideal para qualquer empresa baseada em pagamentos recorrentes.
Atrair usuários para uma função gratuita é relativamente simples, mas convencê-los a pagar US$ 39,99 (R$ 222) mensalmente representa o verdadeiro ganho comercial.

Estudos mencionados na reportagem indicam que consumidores não gostam desse tipo de cobrança, embora parte deles permaneça pagando após experimentar a tecnologia.
A GM projeta alcançar 850 mil assinantes do Super Cruise até o fim deste ano, além de quase 13 milhões vinculados ao OnStar.
Mary Barra, presidente-executiva da companhia, afirmou a investidores que existem diferentes caminhos disponíveis para sustentar o crescimento dessa operação.
A executiva também vê espaço para elevar a rentabilidade e reduzir a dependência dos ciclos de expansão e retração comuns à indústria automotiva.
Essa estratégia não pertence apenas à GM, pois outras fabricantes passaram a tratar recursos digitais como fontes permanentes de faturamento.
A Tesla direcionou recentemente o Full Self-Driving para um modelo de assinatura, enquanto a Ford cobra periodicamente pelo uso do BlueCruise.
Mercedes, Audi e BMW também testam atualizações de software que podem ser ativadas depois da compra, mesmo quando parte do equipamento já está instalada.
Automóveis modernos funcionam cada vez mais como computadores sobre rodas, permitindo liberar funções, conectividade e conveniências por meio de comandos digitais.
Depois que o hardware chega à garagem, a fabricante ainda pode oferecer novos pacotes durante anos sem precisar produzir outro veículo completo.
Para as empresas, esse formato cria receitas previsíveis e margens muito superiores às normalmente obtidas com a comercialização de carros novos.
Para os motoristas, porém, a mudança significa que os pagamentos mensais podem continuar mesmo depois da quitação do financiamento.
O desafio será encontrar equilíbrio entre serviços realmente úteis e cobranças por funções que os consumidores acreditam já ter adquirido junto com o automóvel.
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