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Roubos caem nas ruas, mas estelionatos digitais explodem em Mato Grosso

A redução dos roubos e furtos tradicionais nas ruas de Mato Grosso não se traduziu em um cenário de tranquilidade para a população.

A criminalidade patrimonial apenas mudou de endereço: migrou do contato físico para a internet e os aplicativos de mensagens, marcando uma virada estratégica das facções e golpistas no Estado.

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Mato Grosso contabilizou 35.926 ocorrências de estelionato em 2025 — um salto de 14,4% na comparação com as 31.402 registradas em 2024. O índice representa uma média impressionante de 98 golpes por dia.

Estado entra no ranking das maiores taxas do país

Com 922,7 estelionatos para cada 100 mil habitantes, Mato Grosso alcançou a 9ª maior taxa do Brasil no indicador geral. O avanço, contudo, é ainda mais acentuado na modalidade virtual.

  • Fatia digital dos crimes: Das quase 36 mil fraudes registradas no Estado, 23.120 ocorreram em ambiente eletrônico (redes sociais, aplicativos de mensagens, bancos virtuais e plataformas de comércio).

  • Crescimento contínuo: O volume de fraudes digitais subiu 8,4% em relação a 2024, quando foram notificados 21.328 casos.

  • 4ª maior taxa do Brasil: Com 593,8 golpes virtuais por 100 mil moradores, MT figura no top 4 nacional na modalidade, atrás apenas de Santa Catarina, Distrito Federal e Rondônia.

Falsas centrais, Pix e “laranjas”: os desafios da polícia

O movimento acompanha a expansão do Pix, a consolidação do e-commerce e as táticas de engenharia social. Hoje, a ação de criminosos se concentra em falsas centrais telefônicas de bancos, boletos adulterados, clonagem de WhatsApp e golpes de vendas fictícias.

A apuração desse tipo de conduta traz gargalos complexos para a segurança pública. A atuação interestadual de quadrilhas, aliada ao uso de contas bancárias em nome de “laranjas” para pulverizar os recursos em questão de minutos, dificulta a recuperação dos valores e a identificação do topo da pirâmide criminosa.

Especialistas ressaltam que o novo mapa do crime exige reforço contínuo em perícia digital, inteligência investigativa e campanhas preventivas para orientar o cidadão a identificar tentativas de fraude.

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