A baixa procura na América do Norte leva a Volkswagen a rever o futuro do ID. Buzz, embora a marca descarte mudar sua essência exclusivamente elétrica.
Uma das alternativas estudadas foi instalar um motor a combustão como extensor de autonomia, mas a falta de espaço tornou a solução pouco viável.
Stefan Mecha, CEO da Volkswagen Commercial Vehicles, confirmou ao site australiano Go Auto que a empresa analisou seriamente essa possibilidade.
Segundo o executivo, porém, a arquitetura e o formato da van exigiriam alterações caras demais, mantendo o ID. Buzz como um EV.
Os balanços curtos da carroceria e a distribuição dos componentes elétricos não deixaram uma área adequada para acomodar o conjunto auxiliar.

A plataforma MEB foi criada exclusivamente para modelos alimentados por bateria, sem prever a instalação posterior de um motor a combustão.
Qualquer tentativa de adaptação exigiria uma reformulação ampla do projeto, aumentando custos justamente em um modelo que ainda busca maior escala comercial.
A Volkswagen vendeu 60.700 unidades do ID. Buzz em 2025, volume duas vezes superior ao registrado durante 2024.
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A América do Norte respondeu por apenas 6.140 exemplares, desempenho que levou a fabricante a retirar temporariamente a linha 2026.
A decisão permitiu reduzir os estoques remanescentes antes do retorno aos Estados Unidos como modelo 2027, acompanhado por pequenas atualizações.

Uma nova versão voltada a acampamentos também será acrescentada ao catálogo, buscando ampliar o interesse entre compradores de lazer e viagens.
Paralelamente, a divisão de comerciais prepara uma transformação estrutural para reduzir a variedade de plataformas e os custos de desenvolvimento.
Mecha descreve o cenário atual como uma fragmentação cara, já que quatro arquiteturas diferentes sustentam a linha de comerciais leves da Volkswagen.
Caddy e Multivan T7 utilizam a MQB, enquanto o ID. Buzz permanece sobre a MEB desenvolvida para modelos elétricos.
O Transporter T7 compartilha sua base com o Ford Transit Custom, enquanto o Crafter utiliza um chassi maior e específico.

Para simplificar produção e pesquisa, a fábrica de Hanover será adaptada para uma nova arquitetura comum chamada Space.
A plataforma deverá orientar a próxima década e servir às futuras gerações de Caddy, Multivan e Transporter.
Parte de seus componentes também será destinada ao próximo Crafter, mesmo que o utilitário maior mantenha características próprias de construção.
A Space nasceu como uma base voltada a EVs, mas passará a aceitar conjuntos híbridos diante da eletrificação mais lenta entre clientes comerciais.
Essa demora deixa a Volkswagen Commercial Vehicles exposta a penalidades elevadas pelas regras europeias de emissões médias das frotas.
O cenário também aumenta a incerteza sobre o ID. Buzz, especialmente após o Grupo Volkswagen anunciar uma redução ampla em seu catálogo até 2030.
Antes da chegada da nova plataforma, a empresa pretende ampliar sua oferta elétrica ao lado do ID. Buzz e do e-Transporter.
Um dos projetos é o sucessor do e-Crafter, comercializado entre 2018 e 2022 e ausente desde então da linha.
A nova geração deverá oferecer autonomia significativamente maior, tornando a van grande mais competitiva diante do Ford e-Transit e Renault Master E-Tech.
A Volkswagen também avalia uma versão sem emissões do Caddy, cuja geração atual estreou em 2020 e recebeu atualização visual neste ano.
Hoje, o modelo compacto oferece opções a diesel e híbrida plug-in, sem uma configuração exclusivamente alimentada por bateria.
Ainda não está definido se o futuro e-Caddy usará uma adaptação elétrica da MQB, como o antigo e-Golf, ou migrará para a MEB.
A estratégia revela uma Volkswagen dividida entre ampliar sua linha de EVs e preservar alternativas híbridas para atender compradores ainda resistentes à mudança.
