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CEO global da Stellantis reforça estratégia para o Brasil com Lula

A comemoração dos 50 anos da Fiat no Brasil levou o presidente global da Stellantis, Antonio Filosa, e o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, ao Palácio do Planalto para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o motivo oficial da reunião tenha sido celebrar os 50 anos da Fiat no Brasil, a conversa acabou revelando como o grupo pretende conduzir sua operação brasileira abordando temos sobre competitividade, produção local e desenvolvimento industrial.

Um dia após Herlander Zola confirmar que o Argo X será o primeiro modelo totalmente inédito produzido em Betim dentro do novo ciclo de investimentos da companhia, Filosa aproveitou para reafirmar que o plano prevê R$ 32 bilhões na América do Sul até 2030, sendo R$ 14 bilhões destinados ao Polo Automotivo de Betim, que continuará como um dos principais centros de engenharia e produção da Stellantis fora da Europa. 



Antonio Filosa e Lula – Foto de Ricardo Stuckert | Presidência da República

Foto de: Presidência de República

Durante a conversa com Lula, Filosa voltou a destacar um dos pilares da operação da Stellantis na região: a elevada nacionalização da produção. Segundo o executivo, a companhia produz localmente motores, transmissões e a maior parte dos componentes utilizados em seus veículos, alcançando cerca de 95% de conteúdo nacional. O grupo também movimenta uma ampla cadeia de fornecedores brasileiros, comprando aproximadamente R$ 60 bilhões por ano em componentes e matérias-primas produzidos no país. Somente o Polo de Betim está conectado a cerca de 400 fornecedores instalados em um raio inferior a 150 quilômetros da fábrica, um ecossistema que, segundo Filosa, ajuda a explicar a competitividade da operação brasileira.

“Nós somos 95% localizados. Todo o aço dos nossos carros vem do Brasil. Todo o plástico vem do Brasil. Toda a parte química vem do Brasil. Os motores somos nós que produzimos. As transmissões somos nós que produzimos. Além dos carros, nós desenvolvemos toda uma cadeia de fornecedores”, afirmou Filosa

A defesa da produção nacional, porém, não significa que a Stellantis trabalhe com um único modelo industrial. Na véspera do encontro com Lula, Herlander Zola deixou claro que o principal critério para definir o futuro de cada projeto é a competitividade. Segundo o executivo, sempre que houver condições para localizar a produção, esse será o caminho natural. Mas ele também reconheceu que diferentes modelos de negócio podem ser adotados quando fizerem mais sentido econômico.



Herlander Zola anuncia Argo X no Brasil

Herlander Zola anuncia Argo X no Brasil

Foto de: Motor1 Brasil

Essa visão ajuda a entender a própria estratégia da Stellantis para a Leapmotor, fabricante chinesa da qual o grupo detém 51% das operações globais. A marca iniciou sua atuação no Brasil importando veículos, já confirmou planos de produção nacional e deverá combinar os dois formatos de acordo com a evolução do mercado. Na prática, a empresa mostra que produção local e importação não são estratégias excludentes, mas ferramentas que podem conviver para garantir competitividade.

Outro ponto enfatizado por Filosa foi o impacto da Stellantis sobre a economia brasileira. Além dos investimentos anunciados, a companhia informou que está contratando 2 mil novos funcionários em suas operações no país, movimento que deve gerar aproximadamente 20 mil empregos adicionais ao longo da cadeia de fornecedores. Parte desse crescimento será absorvida pelo Polo de Betim, que receberá um terceiro turno de produção, enquanto a fábrica de Porto Real (RJ) ganhará um segundo turno para produzir o futuro Jeep Avenger.



Fiat - Fábrica de motores turbo em Betim (MG)

Fiat – Fábrica de motores turbo em Betim (MG)

Durante o encontro, Lula destacou o momento vivido pela indústria automotiva brasileira e afirmou que o país deverá voltar a produzir cerca de 3 milhões de veículos em 2026, patamar próximo ao registrado antes da forte retração do mercado na década passada. O presidente também defendeu a ampliação das exportações brasileiras, especialmente para países da América Latina e da África, apontando esses mercados como fundamentais para sustentar o crescimento da indústria nacional.

“Quando voltamos, em 2023, o Brasil emplacava apenas 1,6 milhão de veículos. Este ano vamos voltar à marca de 3 milhões. É uma coisa extraordinária”, enfatizou Lula

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A reunião teve como pano de fundo os 50 anos da Fiat no Brasil, mas deixou uma mensagem que vai além da celebração. Ao mesmo tempo em que investe na renovação de sua gama de produtos, iniciada pelo Argo X, a Stellantis reforça que sua principal aposta para manter a liderança na América do Sul continua sendo a combinação entre engenharia local, desenvolvimento da cadeia de fornecedores e flexibilidade para adaptar seu modelo industrial às exigências de um mercado cada vez mais competitivo.

É uma estratégia que explica tanto a continuidade dos investimentos em Betim quanto a chegada de novas marcas ao grupo, mostrando que, para a companhia, produzir localmente segue sendo um diferencial, mas sempre subordinado ao mesmo objetivo que Herlander Zola resumiu na véspera: manter a competitividade.

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