A geografia compacta de Hainan transforma a ilha em um campo estratégico para a mudança da mobilidade chinesa ao longo dos próximos anos.
A província confirma que deixará de permitir a venda de veículos novos com motor a combustão a partir de 2030, tornando-se pioneira no país.
A decisão aparece no recém-divulgado 15º Plano Quinquenal da Zona-Piloto Nacional de Civilização Ecológica de Hainan, documento que orienta a transição regional.
O território possui 35.400 quilômetros quadrados e uma via expressa de 612,8 km, a G98, que contorna praticamente toda a ilha.
Essas dimensões combinam com a autonomia dos EVs atuais e facilitam a instalação de uma rede eficiente de recarga distribuída pelas principais rotas.

Hainan já avança no projeto chamado Ilha de Energia Limpa, concebido para reduzir a dependência de fontes convencionais e transformar sua matriz energética.
Em meados do ano, as fontes renováveis passaram a representar a principal origem da eletricidade consumida no território, segundo os dados apresentados pela administração.
A província também ocupa a liderança chinesa em participação de EVs nas vendas e a segunda posição nacional em quantidade total de unidades registradas.
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O governo regional estabeleceu metas numéricas para conduzir essa mudança sem comprometer o atendimento à população, às empresas e aos serviços essenciais.
A participação dos veículos de nova energia na frota completa deveria chegar a 23,75% em 2025 e superar 45% até 2030.
A partir de 2030, todos os veículos públicos e de operação social deverão usar energia limpa, incluindo modelos governamentais, transporte de passageiros e serviços urbanos.
A exigência também abrangerá automóveis particulares novos ou substitutos, mantendo uma exceção apenas para determinados veículos utilitários destinados a atividades específicas.
Outra prioridade envolve a rede de abastecimento elétrico, cuja expansão deverá manter uma proporção inferior a 2,5 veículos para cada ponto de recarga.
O avanço, porém, exige soluções para integrar carregadores e estações de hidrogênio ao planejamento urbano sem ampliar demais a pressão sobre o fornecimento energético.
Um relatório publicado pelo jornal estatal People’s Daily em 2022 já apontava dificuldades relacionadas à infraestrutura, ao abastecimento e à organização das cidades.
Localizada no extremo da Southern Power Grid, Hainan enfrenta há anos limitações ligadas à dependência energética externa e aos custos elevados da eletricidade.
A resposta será uma estratégia de reforço da base energética, com investimentos destinados a ampliar a capacidade de geração dentro do próprio território.
O índice de autossuficiência deverá subir de 24% em 2025 para 54% em 2030, apoiado pela expansão das fontes nuclear e renováveis.
Medidas diferenciadas para registro, circulação e estacionamento também serão utilizadas para tornar os NEVs mais atraentes diante dos veículos movidos por combustíveis convencionais.
Essas vantagens deverão favorecer a troca gradual da frota, reduzindo a presença dos motores a combustão antes da mudança completa prevista para o fim da década.
Por ser uma das menores províncias chinesas, Hainan oferece uma escala mais controlável para testar soluções que depois poderão orientar outras regiões do país.
A combinação entre dimensões territoriais, ampla participação de EVs e crescimento da energia limpa coloca a ilha em posição singular dentro da estratégia nacional.
O resultado dependerá da capacidade de ampliar a geração, distribuir carregadores e atender ao aumento da demanda sem elevar excessivamente os custos para os moradores.
Caso alcance as metas definidas, Hainan poderá demonstrar como uma região inteira consegue reorganizar transporte, infraestrutura e fornecimento energético em torno dos NEVs.
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